segunda-feira, 29 de maio de 2017

Síria – No NYTimes, a verdade infiltra-se nas entrelinhas. E OTAN Prepara-se para fazer guerra ao Irã e à Rússia

26/5/2017, Moon of Alabama











The New York Times Magazine traz artigo interessante sobre o leste de Aleppo. Robert Worth lá esteve recentemente e falou com várias pessoas. Editores/censores empregados do NYT rechearam o artigo com as mentiras e calúnias de sempre contra o governo sírio, mas já não conseguem soterrar as realidades que deveriam estar à tona, mas não estão.

A manchete diz: "Aleppo depois da Queda", mas uma das frases mais destacadas do texto diz o contrário:


Yasser disse que foi um dos primeiros a poder voltar [para Aleppo-leste], imediatamente depois do que ele – comotodos com quem falei — chamavam de "a libertação."


Nada pode ser ao mesmo tempo "queda da cidade" e "libertação da cidade". Não, pelo menos, no mesmo 'relato'.

A propaganda pró jihadistas de que o governo teria bombardeado hospitais sem motivo, notícia 'confirmada' por um telefonema por Skype a algum propagandista a favor da al-Qaeda em Idleb – mistura-se ao que parece ser constatado em relato de campo:

sábado, 27 de maio de 2017

Manchester, o revide: Começam a aparecer detalhes do apoio dos governos britânicos ao terror

25/5/2017, Moon of Alabama












Já há alguns poucos novos detalhes sobre o ataque em Manchester e como se relaciona ao apoio dos britânicos aos takfiris nas guerras que movem contra países independentes no Oriente Médio e noutros pontos. Mas o quadro não mudou do que pintamos ontem. O ataque foi revide contra os britânicos estarem usando grupos takfiris para derrubar governos que não lhes agrade.

Em 2011, quando britânicos, franceses e os EUA fizeram guerra contra a Líbia, o governo britânico enviou takfiris líbio-britânicos para combaterem contra forças do governo líbio:

A conexão Manchester-Líbia em cinco minutos, por Pepe Escobar

Pepe Escobar, 27/5/2017, 9h37 (hora BSB), pelo Facebook













Concentremo-nos em Ramadan, pai de Salman Obeidi, o "mártir" de Manchester; e é serviço bem repugnante.

Ramadan é fruto da tribo al-Obeidi, de al-Gubbah no leste da Líbia. No governo de Gaddafi foi sargento-major, muito pio e conectado aos islamistas. Deixou a Líbia em 1991, e estabeleceu-se no paraíso wahhabista saudita onde – detalhe crucialmente importante – foi instrutor de mujahidin que combatiam no Afeganistão contra o governo de Najibullah, depois de os soviéticos terem saído de lá.

Em 1992 os mujahidin entraram em Kabul, para bombardear a cidade até a morte, inclusive o recentemente "normalizado" Hekmatyar. Ramadan vai de lá para Londres e de Londres para Manchester, unindo-se à diáspora líbia islamista que circula em torno do Grupo Islâmico de Combate na Líbia [ing. Lybia Islamic Fighting Group (LIFG)].

Ali Ramadan liga-se a ninguém menos que Abu Anas Al-Libbi – que também vive em Manchester – e que será o cérebro por trás dos ataques da al-Qaeda contra Quênia e Tanzânia em 1998.

Ramadan também se liga ao infame Abdelhakim Belhaj – ex-mujahid no Afeganistão e MUITO próximo de... Osama Bin Laden. Belhaj convence Ramadan a retornar à Líbia. 

Depois que a gangue Cameron/Sarkozy/OTAN "libertaram" a Líbia, Ramadan une-se ao partido Al-Umma, liderado por Sami al Saadi, um dos mais altos comandantes do LIFG, e torna-se muito próximo do Grande Mufti Sadeq al-Ghariani, guia espiritual das milícias islamistas de linha-duríssima ligadas a Belhaj. 

Moon of Alabama: Morreu Zbig, padrinho da Al-Qaeda. Já foi tarde

27/5/2017, Moon of Alabama













Morreu ontem à noite Zbigniew Brzezinski, implacável sanguinário imperialista norte-americano. Já foi tarde.

Brzezinski foi o padrinho da al-Qaeda e de grupos similares.

Como Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter dos EUA, Brzezinski concebeu a estratégia de usar militantes radicais religiosamente motivados contra governos seculares e respectivos povos em todo o mundo. Mandou os doidos wahhabistas financiados pelos sauditas para combater contra o governo do Afeganistão, antes de a União Soviética decidir mandar os próprios soldados para apoiar aquele governo.

Brzezinski é filho de família da nobreza polonesa da Galicia, atual oeste da Ucrânia. (Galicia é também, não por acaso, berço dos neonazistas ucranianos ativos hoje). A família fugiu da Polônia depois de o país ser dividido entre alemães e soviéticos e da socialização das vastas propriedades da nobreza durante e depois da 2ª Guerra Mundial. O ódio de Zbigniew Brzezinski por tudo que tivesse a ver com socialismo e russos advém daí.

Os ataques do 11/9, a guerra contra a Síria e o recente massacre em Manchester são consequências diretas da estratégia de Brzezinski de exportar revoluções. O crescimento e a difusão do credo wahhabista saudita fundamentalista –que hoje já ameaça toda a humanidade, foi trabalho dele.

Que arda no inferno.*****




sexta-feira, 26 de maio de 2017

Pepe Escobar: Daech, o Ocidente e o impassível fedor de morte

25/5/2017, Pepe Escobar, Sputnik News













Cada vez que o Daech acrescenta mais um, na litania trágica de seus ataques de "lobo solitário" e/ou de "redes" – em Manchester, Paris, Londres, Nice, Berlim – o Ocidente volta às cenas de fúria contra aqueles "desgraçados perdedores" (copyright Donald Trump).

Cada vez que a formidável máquina militar do Ocidente acrescenta mais um, na trágica litania de "danos colaterais" – na Líbia, Iêmen, Somália, nas áreas tribais do Paquistão – reina o silêncio. Nenhuma manchete de primeira página com nomes muçulmanos completos.

Cada vez que representantes do CCG-OTAN acrescentam mais um, na sua própria trágica litania de massacres premeditados – em toda a Síria, em todo o Iraque – os perpetradores são desculpados porque são "nossos" rebeldes "moderados" e combatentes da liberdade.

Essa lógica inexorável, perversa, não será alterada. Agora com um toque extra, porque o presidente Trump explicou a um mundo assustado, via seu redator islamófobo de discursos Stephen Miller, a culpa é toda do Irã.

Trump já fez sua profissão de fé jurando sobre uma esfera brilhante aninhada em Riad, a alma mater de todas as modalidades do terror wahhabista ou jihadista-salafista.

ISIS é "parceiro" dos EUA em operações contra russos na Síria

Eis o que Trump passou a funcionários russos (diz o WPost) 



21/5/2017, John Helmer, Dances with Bears, Moscou











"Nunca confies em quem anda de braços dados com teu inimigo"

Um repórter do Washington Post revelou que o caso do laptop do Estado Islâmico, que o presidente Donald Trump mencionou ao ministro russo de Relações Exteriores Sergei Lavrov na Casa Branca, semana passada, veio do próprio Estado Islâmico, trazido pela Agência Central de Inteligência [ing. Central Intelligence Agency (CIA)]. A razão do vazamento contra Trump, noticiada em seguida no Post e na mídia anglo-norte-americana também foi revelada pelo Post. 

CIA e pelo menos um alto funcionário do Conselho de Segurança Nacional que informou a CIA sobre o que Trump dissera estão furiosos contra o presidente Trump, por ele ter revelado a colaboração entre agentes do Estado Islâmico e 'ativos' a serviço do governo dos EUA em ataques contra alvos russos, inclusive contra passageiros russos de voos comerciais.

Crime contra Assange: a história não contada, por John Pilger

19/5/2017, John Pilger,* Counterpunch












Julian Assange foi vingado, porque todo o caso contra ele, construído pelo Judiciário sueco, foi ato de corrupção da Justiça. A Procuradora Marianne Ny cometeu crime de obstrução da justiça e tem de ser processada. A obsessão dela contra Assange não apenas envergonha seus colegas juízes e procuradores, mas também deixa à vista de todos a colusão entre o Estado sueco e os EUA nos crimes de guerra dos norte-americanos e suas famigeradas "entregas especiais" [ing. rendition] de [prisioneiros a governos estrangeiros, para serem torturados, assassinados ou todas as anteriores (NTs)]. 

Se Assange não tivesse procurado abrigo na embaixada do Equador em Londres, teria sido metido num dos buracos de tortura e ilegalidade que os EUA mantêm, para um dos quais foi enviada Chelsea Manning.

Essa ameaça muito real foi mascarada pela farsa que o Judiciário sueco prestou-se a representar. "Chega a ser cômico" – disse James Catlin, um dos advogados australianos de Assange. – "Dava a impressão que iam inventando o próximo passo enquanto um passo se 'desenvolvia' no Judiciário sueco". 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Samuel Pinheiro Guimarães: “Quanto mais cedo Temer cair, pior para a oposição”

24/5/2017, Samuel Pinheiro Guimarães,* Socialista Morena







1. A vitória ideológica/econômica/tecnológica dos Estados Unidos sobre a União Soviética, a adesão russa ao capitalismo e a desintegração da Rússia e a adesão da RPC ao sistema de instituições econômicas liderado pelos Estados Unidos e a abertura chinesa controlada às MNCs levaram à consolidação da hegemonia política/imperial dos Estados Unidos.

2. As diretrizes da política hegemônica norte-americana são:

– induzir a adoção, por acordos bilaterais e pela imposição, por organismos “multilaterais”, dos princípios da economia neoliberal;

– manter a liderança tecnológica e controlar a difusão de tecnologia;

– induzir o desarmamento e a adesão “forçada” dos países periféricos e frágeis ao sistema militar norte-americano;

– induzir a adoção de regimes democráticos liberais, porém de forma seletiva, não para todos Estados;

– garantir a abertura ao controle externo da mídia.

Ahmadinejad: "Confronto com sauditas não terá fim"

22/5/2017, Claudio Gallo, La Stampa, Itália




"Mas o que Ahmadinejad realmente disse foi que nenhum confronto com os sauditas jamais terá vencedor: não é exatamente o que se lê na manchete de La Stampa" [Entreouvido no bochicho aqui]












Os EUA se querem divididos e fracos" (Ahmadinejad)


O quartel-general de Mahmoud Ahmadinejad está instalado no elegante quarteirão de Velenjak, no setor norte de Teerã. Presidente do Irã por oito anos, Ahmadinejad fez alguns movimentos para voltar à política, mas o Guia Supremo o proibiu. Sessenta anos, de aparência jovem e saudável, vestido com elegância, tem às costas de sua poltrona a bandeira do Irã. Continua muito presidencial. Sabíamos que não tinha autorização para falar com a mídia, mas Ahmadinejad é homem de infringir e desobedecer. Antes de iniciar a entrevista reza a primeira sura do Corão. 

Senhor Ahmadinejad, o que pensa da vitória de Rohani?

"Tenho muito a dizer sobre essa discussão, mas não falaremos disso".

Como o senhor avalia o acordo nuclear e o novo estilo presidencial de Trump?

"O problema dos EUA é que querem governar o mundo inteiro, especialmente o Oriente Médio. Trump veio para trazer mais guerra por conta dos capitalistas, mas fracassará. O capitalismo está em vias de se esgotar, perdeu a capacidade de se renovar. A economia foi convertida em espaço de injustiça, também na Europa. A democracia está submetida e controlada. O sistema que Trump representa está condenado a desaparecer, ainda que não seja imediatamente. Mas não se deve focar exclusivamente a figura do presidente dos EUA, porque quem decide não é ele, são outros."

A Nova República acabou, e ninguém sabe o que vem depois

20/5/2017, Diário Classe Operária Online (Editorial)










É tradição na política francesa separar as etapas da política do País em repúblicas. A Primeira República começou com a Revolução e se encerrou com a coroação de Napoleão. A tradição continua até hoje, nestas eleições, um candidato pelo Partido Socialista defendeu a criação da Sexta República, para substituir a que existe desde 1958.

As repúblicas representam um regime político, é natural que a França, uma nação de tradição de debate político, apresente isso de maneira clara. 

O Brasil também teve as suas “repúblicas”, tivemos a República Velha, o Estado Novo, o período entre a ditadura varguista e os anos de chumbo foi chamado de República Liberal, todos delimitavam uma clara diferença de regimes políticos.

Em todas estas repúblicas havia uma relação específica entre a burguesia e as classes oprimidas, entre setores da burguesia, existia um pacto social. Representado por partidos políticos da época, instituições e seus papéis, quando o pacto se rompia, abria-se uma crise e começava um processo de destruição do regime, de criação de outro.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 4)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker



Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites 'maquiavélicas': de Trotsky a Burnham e de Burnham e 'Maquiavélicos' ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico[9]
















Capa da edição de 1550 de "O Príncipe" de Machiavelli e "A Vida de Castruccio Castracani".

A recente afirmativa, pela Casa Branca de Trump de que Damasco e Moscou teriam distribuído "falsas narrativas" para desviar a atenção do mundo, de modo a que ninguém visse o ataque com gás sarin dia 4 de abril em Khan Shaykhun, Síria, é perigoso passo adiante na guerra de propaganda em torno de "fake news" lançada nos últimos dias do governo Obama. E é passo cujas raízes profundas na IV Internacional Comunista de Trotsky [muito mais, isso sim, de 'seguidores-deformadores' de Trotsky (NTs)] têm de ser bem compreendidas, antes de se decidir quanto ao que realmente se passa aí.

Agitando o lodo para turvar as águas com empenho jamais visto desde os anos do senador Joe McCarthy e do "Medo Vermelho" [ing. Red Scare] nos anos 1950s, a "Lei de Combate à Desinformação e à Propaganda" [ing. "Countering Disinformation and Propaganda Act" assinada e convertida em lei quase clandestinamente por Obama em dezembro de 2016 autoriza oficialmente a ação de uma burocracia de censores só comparável ao Ministério da Verdade que George Orwell nos mostra em seu romance 1984.

Vitória e derrota das ideias soberanistas, por Jacques Sapir


16/5/2017, Jacques Sapir, Russeurope, Hypotheses











O período atual está marcado por uma forte contradição. O 1º turno da eleição presidencial na França trouxe a vitória cultural das forças soberanistas. O 2º turno, uma derrota confirmada, das mesmas forças. A derrota nesse caso explica-se pela persistência dos mecanismos ideológicos de demonização da Frente Nacional. Mas os mesmos mecanismos foram reativados também pela incapacidade, muito visível na última semana, para articular com clareza um projeto coerente e, sobretudo, pela incapacidade de levar esse projeto, com dignidade, ao debate televisionado antes da votação. Essa derrota confirma tanto as limitações da candidata – sejam limitações ideológicas, políticas ou de organização –, como também confirma a divisão da corrente soberanista.

Recordemos os fatos: os soberanistas explicitamente alcançaram mais de 47% dos votos no 1º turno, se se somam os votos dados ao conjunto de candidatos que defendem posições ou teses soberanistas. Além desses, também se pode supor que exista um 'exército de reserva' de eleitores soberanistas entre os eleitores de François Fillon. Certo número desses apoios, inclusive entre os deputados, nunca fizeram segredo de sua adesão às teses soberanistas. É claro portanto queimplicitamente, o soberanismo já foi maioria no 1º turno. E em momento algum cedeu fosse o que fosse de suas posições, especialmente quanto ao euro. Mas no 2º turno essa maioria desfez-se. A oposição entre esses dois eventos, ambos indiscutíveis, traz à luz ao mesmo tempo a diversidade das posições soberanistas e as dificuldades para reuni-las.

João Pedro Stedile convoca o povo para NÃO sair das ruas


Belo Horizonte, Entrevista, 18 de Maio de 2017 às 14:51, Brasil de Fato


Ver também
"Donos do golpe iniciam a demissão de Michel Temer",
Rui Costa Pimenta, 
GGN, 18/5/2017 









João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Frente Brasil Popular, analisa em entrevista o cenário político brasileiro, o papel da Globo, as divisões no campo golpista e fala sobre a necessidade de construção de um governo de transição e da construção de um projeto popular para o Brasil.

Brasil de Fato - Qual o interesse da Globo em divulgar esses áudios e por que eles insistem em eleições indiretas?

João Pedro Stedile - A Rede Globo se transformou no principal partido da burguesia brasileira. Ela cuida dos interesses do capital, utilizando sua força de manipulação da opinião pública e articulando os setores ideológicos da burguesia, que inclui o poder judiciário, alguns procuradores, a imprensa em geral, etc. Eles sabem que o Brasil (e o mundo) vive uma grave crise econômica, social e ambiental, causada pelo modus operandi do capitalismo. E isso aqui no Brasil se transformou numa crise política, porque a burguesia precisava ter hegemonia no Congresso e no governo federal para poder aplicar um plano de jogar todo peso da saída da crise sobre a classe trabalhadora. Portanto, a Globo é a mentora e gestora do golpe.

Porém, a saída Temer, depois do impeachment da Dilma, foi um tiro no pé, já que a sua turma - como revelou o próprio Eduardo Cunha - era um bando de lúmpens, oportunistas e corruptos, que não estavam preocupados com um projeto burguês de país, mas apenas com seus bolsos.

A Operação Carne Fraca foi um tiro no pé, que ajudou a desacreditar essa turma do PMDB, pois vários deles estavam envolvidos e provocaram um setor da burguesia agroexportadora. Agora, eles precisam construir uma alternativa ao Temer. A forma como ele vai sair se decidirá nas próximas horas e dias, se por renúncia, se cassam no TSE ou mesmo aceleram o pedido de impeachment no Congresso. E nas próximas semanas se decidirá quem colocar no lugar.

Muitos fatores incidirão e o resultado não será algum plano maquiavélico de algum setor, mesmo da Globo, mas será resultado da luta de classes real, de como as classes se comportarão nas próximas horas, dias e semanas.

Putin e Xi alinhados na montagem da nova ordem (comercial) mundial, por Pepe Escobar

16/5/2017, Pepe Escobar, RT










A história recordará que o Fórum Cinturão e Estrada em Pequim marcou o momento e as circunstâncias em que as Novas Rotas da Seda do século 21 assumiram o pleno caráter de Globalização 2.0 – a "globalização inclusiva", como o presidente Xi Jinping definiu-a em Davos, no início desse ano. 

Já falei das apostas monumentais que rolam nesse quadro (aqui e aqui). Terminologia, claro, permanece, como problema de importância secundária. Antes definido como "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)] está agora promovido a "Iniciativa Cinturão e Estrada" [ing. Belt and Road Initiative (BRI). Muita coisa permanece perdida na tradução ao inglês, mas o que importa é que Xi deu jeito e pôs na cabeça, principalmente de todo o Sul Global, a miríade de possibilidades que há no conceito.

Gansos selvagens de Xi em busca do ouro da Rota da Seda, por Pepe Escobar














O presidente Xi Jinping invoca heróis da dinastia Ming, estratégias geopolíticas de desenvolvimento e analogias com os gansos selvagens asiáticos para retratar a iniciativa chinesa Novas Rotas da Seda como nave madrinha de uma nova ordem mundial focada no comércio.

O presidente Xi Jinping usou o Fórum Internacional Nova Rota da Seda, de dois dias, em Pequim, para fixar a China como a nave madrinha de nova ordem mundial benigna, focada no comércio. Esse é, disse Xi, um "novo modelo de ganha-ganha e cooperação" que prevalecerá sobre a diplomacia dos canhões.

No início da conferência, a rede estatal chinesa Xinhua cuidou de esclarecer que a iniciativa – oficialmente chamada, antes, de "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)] e chamada agora "Iniciativa Cinturão e Estrada" [ing. Belt and Road (BRI)] — nada tinha de "neocolonialismo disfarçado".

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 3)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker




Parte 3/4 – Como a CIA inventou uma falsa realidade ocidental para sua "Guerra não convencional"[6]




Ver também
Parte 1/4 – Imperialismo norte-americanoempurra o mundo para um inferno dantesco (Blog do Alok)

Parte 2/4 – Como os neoconservadores promovem a guerra, maquiando os livros (Blog do Alok)
Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites maquiavélicas: de Trotsky a Burnham, de Burnham e Maquiavel ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico (Blog do Alok)












"Os espíritos malignos da imprensa diária moderna", Cartoon da revista Puck em 1888.

A ideologia estranha, psicologicamente conflitiva e politicamente divisionista que se conhece como Neoconservadorismo [ing.Neoconservatism, de onde a forma reduzida "neocons"] pode reivindicar para ela muitos padrinhos nos EUA. Irving Kristol, pai de William Kristol, Albert Wohlstetter, Daniel Bell, Norman Podhoretz e Sidney Hook são nomes que logo vêm à mente, e há muitos outros. Mas, seja em teoria seja na prática, o título de pai fundador da agenda neoconservadora nos EUA – de guerra permanente [impossível não pensar no conceito de "revolução permanente" de Trotsky; para conhecê-lo nos próprios termos do autor-criador leia aqui (NTs)] – que rege o pensamento da defesa e das políticas exteriores dos EUA hoje cabe com mais propriedade a James Burnham.

terça-feira, 16 de maio de 2017

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 2)

0/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker


Parte 2/4 – Como os neoconservadores promoveram a guerra, maquiando as contas[3]















Ver também

Parte 1/4 – Imperialismo norte-americanoempurra o mundo para um inferno dantesco (Blog do Alok)

Parte 3/4 – Como a CIA inventou uma falsa realidade ocidental para sua "Guerra não convencional


"Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites maquiavélicas: de Trotsky a Burnham, de Burnham e Maquiavel ao neoconservadoreservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico





Cartoon editorial de 1898 por Leon Barritt. O cartoon apresenta os editores de jornais Joseph Pulitzer, à esquerda, e William Randolph Hearst vestido como Yellow Kid, um personagem de desenho animado popular da época. É uma sátira do papel de seu Jornal em influenciar a opinião pública dos EUA para ir à guerra com a Espanha.


Muitos norte-americanos fora dos círculos políticos de Washington nunca ouviram falar de "Team B", de onde saiu ou o que fez, nem conhecem as raízes que conectam esse grupo e a 4ª Internacional, o ramo trotskista da Internacional Comunista.[4]


"As raízes do problema vão longe, até 6/5/1976, quando o diretor da CIA George H.W. Bush criou o primeiro Team B… O conceito de uma "análise competitiva" dos dados, produzida por equipe alternativa já enfrentara forte oposição de William Colby, antecessor de Bush como diretor da CIA e profissional de carreira (...) Embora o relatório do Team B contivesse poucos dados factuais, foi recebido com entusiasmo por grupos conservadores, como oCommittee on the Present Danger [aprox. Comissão do Perigo Presente]. O relatório logo se revelou gravemente errado, mas o Team B acertava pelo menos num ponto: o relatório inicial da própria CIA estava, sim, errado. Mas estava errado na direção contrária."


Korb explicou que uma Comissão Especial de Inteligência do Senado em 1978 que revisou o relatório concluiu

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 1)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, Thruthdig in The Vineyard of the Saker


Parte 1/4 – Imperialismo norte-americano empurra o mundo para um inferno dantesco[1]


"Abandonai, ó vós que entrais, toda a esperança!"
("Inferno", Parte 1, canto 3, linha 9, 
trad. [port.] José Pedro Xavier Pinheiro)











Ver também

Parte 2/4 – Como os neoconservadores promoveram a guerramaquiando as contas 
(Blog do Alok)

Parte 3/4 – Como a CIA inventou uma falsa realidade ocidental para sua "Guerra não convencional" (Blog do Alok)


Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites maquiavelian à Burnham. De Trotsky a Burnham, de Burnham e Maquiavel ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico(Blog do Alok) 






"O Portão do Inferno" de Gustave Doré para o "Inferno" de Dante.

Antes de os mísseis Tomahawk começarem a voar entre Moscou e New York, os norte-americanos sabiam mais e melhor, autoeducados eles mesmos, sobre as forças agentes da Rússia, que estaria dando cobertura a um ataque do governo sírio, com gás, contra o próprio povo, como continuam a dizer. Hoje, ninguém parece dar qualquer atenção à necessidade de provar, na ânsia de converter o mundo numa visão dantesca de Inferno. Absolutamente não faltam acusações partidas de fontes jamais identificadas, fontes espúrias e fraudes absolutas indisfarçáveis. A paranoia e a confusão de Washington são hoje impressionantemente semelhantes ao que se viu nos últimos dias do 3º Reich, quando a liderança em Berlin desconjuntou-se e todos os órgãos e unidades de governo entraram em falência.