sábado, 29 de abril de 2017

Relatório da guerra na Síria: Forças do governo sírio avançam em várias frentes

28/4/2017, South Front [e vídeo com mapas]












Recomeçaram os combates no distrito de Al-Qaboun no leste de Damasco, onde o Exército Árabe Sírio (EAS) captura novos pontos antes controlados pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e aliados. O Exército Árabe Sírio detectou um túnel que conectava várias posições dos militantes naquele distrito, e destruiu-o. Ahrar al-Sham divulgou que seus militantes atingiram dois tanques do EAS no distrito de Al-Qaboun.

Fontes pró-militantes dizem que forças da oposição estão em situação crítica na área, depois que tropas do governo sírio cortaram linhas de suprimento operadas por militantes naquela área. Forças comandadas por HTS sofrem com falta de munição e comida.

EUA: Russofobia sem alívio, por Pepe Escobar

27/7/2017, Pepe Escobar, Sputniknews













No fim das contas, nem chegou a ser um reset; mais, uma espécie de pausa na Guerra Fria 2.0. Dias intermináveis de som e fúria, em marcha com o presidente, até que finalmente Trump resolveu que a OTAN "já não é obsoleta". Mesmo assim, ainda quer "entender-se" com a Rússia.

Pouco antes de se encontrar com o secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson em Moscou, o presidente Vladimir Putin havia dito na TV russa, que a confiança (entre Rússia e os EUA) está "num nível no qual se pode trabalhar, especialmente na dimensão militar, mas não melhorou. Ao contrário, degradou-se". Ênfase na muito clara ideia de "nível no qual se pode trabalhar", mas, sobretudo, na parte "degradou-se" –, como no relatório distribuído pelo Conselho Nacional de Segurança no qual os EUA essencialmente acusam Moscou de disseminar noticiário falso.

No auge da histeria do Russiagate, mesmo antes do extremamente controverso incidente químico na Síria e o subsequente Tomahawk Show – muito duvidoso projeto cinematográfico –, qualquer possibilidade de algum reset conduzido por Trump já havia sido fuzilada em combate, tomahawkeada por Pentágono, Capitol Hill e opinião pública desorientada e desencaminhada pela mídia.

Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC): O que é? Como o futuro do mundo multipolar depende dele?

24/4/2017, Andrew Gorybko, SputnikNews



Entreouvido na Vila Vudu:

Artigo interessante para q se comece a 'contextualizar' o golpe no Brasil e a correria em que se meteu o governo Temer-golpista, para implantar as tais 'reformas': os EUA exigiram pressa, porque precisam modelar o próprio quintal e torná-lo maximamente atraente para empresas norte-americanas – e quanto mais predadoras, melhor –, antes que Rússia e China tenham tempo para incorporar nossa região num desses BRICS+ ou BRICS++ e ideologias de "ganha-ganha" à chinesa... Os EUA nunca mudam!













A ordem mundial passa atualmente por mudanças profundas, na transição, de sistema unipolar controlado pelo Ocidente, para um modelo não ocidental de multipolaridade. A fricção multifacetada que se tem hoje entre as forças opostas é como um resumo complexo da Nova Guerra Fria. EUA e aliados lutam para preservara absoluta dominação sobre todos os assuntos globais; e Rússia, China e respectivos parceiros trabalham com empenho para conseguir avanços pacíficos no trabalho de minar o controle até aqui exercido pelo lado adversário.

Desenvolver sistemas alternativos de governança, como o grupo BRICS, a Associação de Cooperação de Xangai, OCX [ing.Shanghai Cooperation Organization (SCO)] e o Banco Asiático para Infraestrutura e Investimento, BAII [ing. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)] é iniciativa central para que projetos já concebidos como multipolares comecem a alterar o sistema mundial. Mas o mais imediatamente necessário é integrar os países afro-eurasianos do Hemisfério Ocidental numa rede ganha-ganha de relações econômicas de setores reais. A solução chinesa para essa necessidade premente é o projeto "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)], visão global da conectividade das Novas Rotas da Seda, que visa a construir uma série de projetos de infraestrutura ligados por conectividade transnacional multipolar – para operar precisamente aquela interligação.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Emmanuel Clinton versus Marine LeTrump, por Pepe Escobar

25/4/2017, Pepe Escobar, The Vineyard of the Saker












Prossegue a contagem de mortos e feridos no mais recente terremoto geopolítico que afligiu o Ocidente: o Partido Socialista está morto na França. A direita tradicional, em coma. O que antes foi a Extrema Esquerda, está viva e bem viva.

Mas a verdade é que o se esperava que fosse o choque do novo, não é exatamente choque. Quanto mais as coisas flutuam na direção da mudança (na qual se pode crer), mais elas continuam exatamente as mesmas. Eis o novo normal: "sistema" reciclado – tipo Emmanuel Macron — versus "o povo" — tipo Marine Le Pen da Frente Nacional, em luta, dia 7 de maio, pela presidência da França.

Apesar de ser esse o resultado esperado, nem por isso deixa de ser significativo. Le Pen, rebatizada "Marine", chegou ao segundo turno da eleição, apesar da campanha medíocre.

Essencialmente, ela só fez remontar – mas não expandiu – sua base de eleitores. Escrevi em coluna para Asia Times que Macron nunca passou de produto artificial, holograma meticulosamente desenhado para vender uma ilusão.

Só os ingênuos terminais podem crer que Macron incarne alguma mudança, sendo, como é, o candidato da União Europeia, da OTAN, dos mercados financeiros, da máquina Clinton-Obama, do establishment francês, de cesta sortida de oligarcas do business e das seis maiores mídia-empresas francesas.

Quanto à estupidez da esquerda Blairista, é fenômeno inigualado no mundo.

MK Bhadrakumar: EUA não suportam mais pressão no Afeganistão

25/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline










A fervente rivalidade EUA-Rússia no Afeganistão teve virada brusca, com a ameaça explosiva feita pelo secretário da Defesa dos EUA James Mattis, em visita a Cabul, na 2ª-feira. Nas palavras de Mattis, Washington "confrontará a Rússia" por violação de leis internacionais, por mandar armas para os Talibã. Mattis disse isso ao responder a uma pergunta que tudo faz crer que tenha sido plantada pelos EUA, enunciada por um correspondente do Washington Post – que perguntou sobre armas russas "vistas em mãos de Talibãs" em Helmand, Kandahar e Urozgão (províncias que têm fronteira com o Paquistão.)

O general John Nicholson, comandante dos EUA no Afeganistão, que estava ao lado de Mattis recusou-se a desmentir o noticiário sobre armas russas, mas tampouco tinha qualquer detalhe a acrescentar. Limitou-se a observar que "continuamos a reunir informes sobre essa assistência." Mas Mattis mesmo assim avançou nas ameaças a Moscou:


·    "Os russos parecem estar escolhendo ser concorrentes estratégicos em inúmeras áreas. Quanto a detalhamento [ing. granularity] e sucesso que estejam obtendo — acho que a Justiça está cuidando disso... Direi que nos engajaremos diplomaticamente com a Rússia. Faremos isso onde pudermos. Mas teremos de confrontar a Rússia onde o que estão fazendo contraria a lei internacional ou nega a soberania de outros países. Por exemplo, qualquer arma que seja canalizada para cá por país estrangeiro seria – seria violação da lei internacional, a menos que entrem mediante o governo do Afeganistão para – para as forças afegãs. E assim tem de ser tratado como violação da lei internacional."

É dramática escalada retórica. Por que agora? Na verdade, vejo contexto com três possíveis vetores. (Afinal, Mattis tem fama, ele pessoalmente, de ser "general que pensa".)

Armas dos EUA para a guerra contra Síria e Iêmen partem da Europa

14/4/2017, Manlio Dinucci, Il ManifestoItália












O regime dos EUA faz crer que lutaria contra os jihadistas. Mas continua enviando armas, a partir da Europa "democrática", àqueles terroristas. 

Leva o nome de Liberty Passion, ou seja "Paixão pela Liberdade". É um enorme, moderníssimo navio cargueiro norte-americano do tipoRo/Ro [abrev. Roll-on/roll-off, de "embarque e desembarque sobre as próprias rodas"] – concebido para transportar veículos –, de 200 metros de comprimento, 12 conveses e superfície total de mais de 50 mil m2, com capacidade para transportar o peso equivalente a 6.500 automóveis.

Esse navio, propriedade da empresa norte-americana Liberty Global Logistics, fez a sua primeira escala – dia 24/3/2017 – no porto de Livorno, Itália. Assim começou oficialmente uma conexão regular entre Livorno e os portos de Aqaba, na Jordânia, e de Jeddah, na Arábia Saudita, servida mensalmente pelo Liberty Passion e outros dois navios similares, o Liberty Pride ("Orgulho da Liberdade") e o Liberty Promise ("Promessa de Liberdade"). A inauguração dessa linha de transporte foi celebrada como "festa para o porto de Livorno".

terça-feira, 25 de abril de 2017

Emmanuel Macron: Economia em marcha a ré

11/4/2017, Dany Lang e Henri Sterdyniak, Rede Tlaxcala




"[Blake] tem de inscrever-se para ser reconhecido como qualificado para procurar emprego e cumprir a tarefa de Sísifo de horas e horas de workshops para aprender a fazer currículos e depois bater perna à procura de empregos que não existem e que, se existissem, ele não poderia reivindicar para si"
["I, Daniel Blake" review – a battle cry for the dispossessed, 23/10/2016, The Guardian].*










Depois de muitos meses de suspense, afinal Emmanuel Macron apresentou seu programa. O programa econômico, infelizmente, veio sem novidades. Como Jean Pisani-Ferry já anunciara, não é programa socialista, quer dizer, programa que visasse a dar mais poder aos cidadãos na cidade e aos trabalhadores na empresa; não é tampouco programa ecologista, que assumisse devidamente os esforços necessários para fazer a transição ecológica. Nada disso. É programa neoliberal, "progressista" só para quem o progresso consista em obrigar a França a andar rumo ao modelo liberal.




Não é tampouco programa de ruptura, pois se inscreve na continuação da política conduzida por François Hollande e Manuel Valls, de 40 milhões de redução nos impostos, sem contrapartida a ser prestada pelas empresas na Lei do Trabalho. Esse programa nos força a aceitar as demandas do grande patronato, na esperança de que por assim fazermos os empresários dignem-se a investir e a empregar na França.

Assim, as classes dirigentes poderão escolher entre duas estratégias nas eleições. De um lado, a estratégia forte com François Fillon, que consistirá em choque brutal para destruir o direito do trabalho, cortar despesas públicas e sociais, reduzir impostos para os mais ricos e para as empresas. De outro, a estratégia mais gradualista de Emmanuel Macron, com as mesmas medidas, mas aplicadas mais lentamente, mas, em resumo, na mesma direção.

Problemas e futuro da cooperação inter-regional China-Rússia

25/4/2017, Wan Qingsong,* Valdai Discussion Club




Entreouvido na Vila Vudu:

A quem diga que 'isso aí não me interessa', responda:
"Interessa, sim senhor, e muito! Porque: (a) São notícias do mundo multipolar. E se é mundo multipolar interessa muito mais, em todos os casos, que os problemas do mundo unipolar dependente do dólar e de Wall Street. Porque: (b) Aí se trata de construir integração entre "regiões não adjacentes", quer dizer, construir integração necessária para finalidades POLÍTICO-ESTRATÉGICAS, não integração determinada por destino geográfico. E porque: (c) E
m todos os casos, essa discussão sempre interessará muito mais que o opininionismo tosco e tendencioso do 'jornalismo' Br-17, q só repete baboseiras das redes norte-americanas sobre eleições na França, ou 'noticiário' suposto 'local' e elucubrações sobre o que algum golpista diz-que pensa sobre Constituição e Lei."












Componente crucial da parceria estratégica abrangente russo-chinesa, a cooperação regional é ponto focal para os dois países e recebe o indispensável apoio das autoridades locais e da alta cúpula do governo dos dois países. Assim, a cooperação regional tem enorme potencial em termos do desenvolvimento de relações bilaterais.

A cooperação entre regiões não adjacentes nos dois países está gradualmente ganhando energia. Trata-se basicamente da interação entre a Região do Alto e Médio [rio] Yangtze da China e o Distrito Federal do [rio] Volga da Rússia. A cooperação no formato Volga-Yangtze começou a ser construída em maio de 2013. Em julho de 2016, aconteceu em Ulyanovsk a primeira reunião do Conselho para Cooperação Inter-Regional que pôs os processos de cooperação e desenvolvimento em novo nível. O Conselho terá sua segunda reunião em junho de 2017, na Província Anhui, China.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Tudo em jogo. França prepara-se para rasgar a partitura política, por Pepe Escobar

20/4/2017, Pepe EscobarAsia Times (escrito antes da eleição)










O Declínio do Ocidente, o destino da civilização ocidental, o desmonte da União Europeia, até o futuro da própria democracia. Todos os breques acionados, no que tenha a ver com como as eleições presidenciais francesas modelarão a geopolítica de um jovem e turbulento século 21.

E tudo a um passo de se resumir ao destino de três homens e uma mulher – nenhum exatamente talhado para a ocasião, muito mais sucumbindo, todos, sob o peso dela.

A corrida pelo primeiro turno no [próximo] domingo revelou-se uma versão galesa de House of Cards, entretenimento de primeira qualidade.

À direita, sucumbido sob o peso da mais massiva impopularidade, o conquistador da Líbia, ex-presidente Nicolas Sarkozy, codinome "Sarkô Primeiro, foi eliminado logo de saída com o conservador favorito, prefeito de Bordeaux, Alain Juppé.

Porque Rússia e China apavoram Washington, por Pepe Escobar

21.04.2017, Pepe Escobar, SputnikNews


Tradução de btpsilveira


Unindo os países que o Pentágono declarou serem as principais ameaças “existenciais” para os Estados Unidos, a parceria estratégica Rússia-China não se revela através de um tratado assinado com pompa e circunstância – e uma parada militar.




Mesmo escavando camada após camada de sofisticação sutil, não há como saber a profundidade dos termos acordados entre Pequim e Moscou, nos bastidores dos inumeráveis encontros entre Xi Jinping e Vladimir Putin.

Diplomatas, desde que mantidos no anonimato, ocasionalmente insinuam que uma mensagem em código pode ter sido entregue à OTAN quantos ao que poderia acontecer se um desses parceiros estratégicos fosse maltratado seriamente – seja na Ucrânia seja no Mar do Sul da China – a OTAN teria que lidar com os dois.

Por enquanto, vamos nos concentrar em dois exemplos de como a parceria funciona na prática, e porque Washington não tem noção de como lidar com a situação.

domingo, 23 de abril de 2017

MK Bhadrakumar: Eleição presidencial no Irã toma rumo cauteloso

22/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline












O ‘não sabido sabido’ na fatídica decisão tomada na 5ª-feira pelo Conselho dos Guardiões do Irã quanto à lista de candidatos aprovados para a próxima eleição presidencial que acontecerá dia 19 de maio era o que seria decidido quanto à candidatura do ex-presidente Mahmoud Ahmedinejad. Isso, por três razões principais. 

Primeira, porque é personalidade vistosa, que tem lugar cativo próprio no espectro político iraniano, suficiente para ser qualificado como ‘de esquerda’. A política do Irã muito precisa da plataforma de Ahmadinejad, dada a natureza dos problemas de desenvolvimento do país.

Uma disputa entre a Direita Conservadora e a Direita Moderada depõe contra a autenticidade da arena eleitoral. O paradoxo é que, embora haja no Irã uma facção conhecida como ‘os reformistas’, ela serve aos mesmos interesses de classe do establishment conservador religioso. A revolução de 1978 tinha amarrações que a ligavam à esquerda, dada sua gênese de movimento popular democrático; mas depois se alinhou ao lado do establishment do primeiro estado islâmico do mundo. E depois de luta amarga dentro da revolução, os progressistas foram eliminados. Tudo isso permanece como capítulo extremamente controverso da história moderna do Irã e volta e meia reaparece à tona, sempre reabrindo velhas feridas.

The Saker: Por que votar em Trump foi o mais certo a fazer (7 razões)

21/4/2017, The Saker, Unz Review e The Vineyard of the Saker


O choque causado pelas primeiras medidas da administração Trump, traindo praticamente todas as suas promessas de campanha, tem motivado o debate entre aqueles que acreditaram que o candidato resistiria ao assédio do Establishment Sionista/Neocon. Neste artigo, The Saker enumera as razões que justificariam o apoio ao candidato Republicano [Nota do Blog].











Agora que Trump já traiu amplamente, sem faltar uma, todas as suas promessas de campanha e que seus primeiros 100 dias de governo estão já marcados por coisa alguma que não seja total caos, incompetência, traição contra os melhores amigos e aliados dele mesmo, grandiloquência irresponsavelmente perigosa e gigantescamente inefetiva na política exterior, muita gente por aí só faz repetir “Eu bem que avisei!”, “Como você pôde levar a sério esse palhaço?!” e “Será que, afinal, você está acordando do seu delírio alucinado?”. Sim, qualquer leitura amadora superficial do que Trump fez desde que chegou à Casa Branca pode até fazer crer que essas vozes do contra teriam alguma razão. Mas, de fato, erram completamente. Permitam-me explicar por quê.

sábado, 22 de abril de 2017

Champs-Élysées: para alguns, perfeito timing

21/4/2017, Ramin Mazaheri,* The Vineyard of the Saker













Na noite de 21 de abril, estava em meu escritório em Paris, a apenas 100m da [avenida] Champs-Élysées, quando recebi telefonema de jornalista amigo, falando do ataque mortal contra policiais, naquele local.

Estava trabalhando, escrevendo o novo boletim sobre as eleições presidenciais na França para a rede Press TV do Irã.

Quando recebi a chamada, acabava de escrever a seguinte frase, e ainda mexia nela:

"As duas últimas semanas assistiram a duas grandes surpresas, que podem empurrar para a direita eleitores indecisos: a suposta descoberta de um complô terrorista de dois homens para atacar um dos três principais candidatos de direita; e o início, surpreendentemente agendado para esse momento, do julgamento de 20 pessoas acusadas de participarem de uma célula terrorista em 2012."

Claro... como já entenderam, tive de acrescentar uma terceira grande surpresa: o atentado suposto terrorista na Avenida Champs-Élysées.

Ucrânia, Coreia, Irã, Síria… Tio Sam luta falsificando a história

22.04.2017, Finian Cunningham - Strategic Culture



tradução de btpsilveira






No discurso pronunciado pelo presidente Vladimir Putin no Fórum Internacional do Ártico, ele ressaltou os perigos reais e presentes apresentados pela falsificação da história. Afirmou que esta distorção deliberada da história corrói a lei e a ordem internacional, criando caos e levando a conflitos futuros.

O líder russo lamentou o uso da história como uma “arma ideológica” para demonizar terceiros, e disse que sem uma compreensão apropriada da história somos levados a repetir erros do passado.
Também recordou uma das máximas de Karl Marx que certa vez afirmou: “a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa”.
Como que para exemplificar, enquanto Putin enumerava os perigos de falsificação da história, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko era recebido em Londres pela Primeira Ministra inglesa Theresa May durante uma visita de dois dias.
O regime sediado em Kiev e liderado por Poroshenko teve origem em um golpe ilegal e violento em 2014 contra um governo eleito democraticamente, contando com apoio encoberto de Washington e da União Europeia. Desde então, o governo militar ucraniano está enfronhado em uma guerra contra a região leste do país, na qual até agora já houve mais de 10.000 mortos, e cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas. Tudo porque a população de etnia russa da região do Donbass se recusou a reconhecer a legitimidade do governo de Kiev, por causa da forma ilegal pela qual assumiu o poder há três anos.
No entanto, a se acreditar na maneira pela qual Poroshenko e o regime de Kiev descrevem os acontecimentos, a Ucrânia estaria lutando contra uma invasão pela Rússia. A falsificação da história pelo presidente ucraniano foi legitimada pela sua hospedeira britânica que acenou respeitosamente enquanto Poroshenko afirmava que seu país era um baluarte da defesa europeia contra a invasão russa.

Exército japonês pode escolher o caminho da guerra

22.04.2017, Ivan Konovalov - Katehon



tradução de btpsilveira





Continua crescendo a crise entre EUA e Coreia do Norte (CN). Nem Washington nem Pyongyang mostram qualquer vontade de ceder seja no que for. A retórica ameaçadora entre os dois países se torna cada vez mais agressiva. O vice presidente Mike Pence disse que a “paciência estratégica” de seu país chegou ao fim e que o presidente Trump está mandando mais porta aviões dos Estados Unidos para as proximidades da Península Coreana. Como resposta, o exército da CN continua a testar mísseis balísticos e preparando outros testes de armas nucleares. 

Carta-Resposta do advogado de Lula, Cristiano Zanin a Merval Pereira

21.04.2017, Cristiano Zanin






Ao

Merval Pereira

Colunista de O Globo

Membro do Conselho Editorial da Globo


Senhor jornalista,



Verdadeiro “segredo de polichinelo”, título de sua coluna de hoje (edição 21/04/2017), é a participação ampla, direta e ilegítima das Organizações Globo na perseguição judicial imposta ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o intuito de prejudicar ou inviabilizar sua atuação política. A aliança entre a Globo e os agentes públicos que integram a Lava Jato – hoje alçados à condição de artistas de um filme estarrecedor, que viola os mais elementares direitos fundamentais do investigado – já foi mais discreta. Hoje, a Globo dita as acusações contra Lula e disponibiliza os seus veículos de comunicação para colocá-las em pé.

A história do chamado triplex do Guarujá é um bom exemplo disso. Foi a Globo, em 2010, que iniciou essa farsa de que Lula seria proprietário do apartamento 164-A do Condomínio Solaris. Deu holofote a 3 promotores de Justiça de São Paulo que promoveram um grande espetáculo midiático, transmitido ao vivo pela emissora. Na sequencia, o assunto do Guarujá foi parar em Curitiba, nas mãos de uma nova instituição criada no País à revelia da Constituição Federal - a chamada Força Tarefa Lava Jato. E, mais uma vez, o tríplex foi alvo de coletiva transmitida ao vivo pela emissora, com a ajuda de um anedótico PowerPoint. Mas o que dizem os fatos? Após 24 audiências e o testemunho de 73 depoentes compromissados com a verdade, ruiu a acusação de que Lula teria recebido a propriedade desse apartamento como contrapartida de 3 contratos firmados entre a OAS  e a Petrobras. No rol de testemunhas estavam funcionários da OAS que afirmaram não ser Lula o proprietário e que o ex-Presidente visitou o local uma única vez, para verificar se tinha interesse na compra, mas rejeitou.

A Globo e seus aliados não se rendem à verdade. E isso pode ser bem observado ontem. O jornal Valor Econômico - hoje 100% de propriedade do grupo - publicou, 3 horas antes do depoimento de Leo Pinheiro ao Juízo de Curitiba, o script da  audiência de ontem. Antecipou a troca dos advogados que iria ocorrer, considerando retomada das negociações em busca de uma delação premiada. E deixou claro que o executivo da OAS iria acusar Lula - sem provas - como condição de ver a sua delação aceita pelo MPF. Foi o que ocorreu. Léo Pinheiro deu aos Procuradores da República a sonhada narrativa contra Lula - na contramão dos 73 depoimentos anteriormente colhidos - e com isso viu crescer a chance de sair da prisão ou obter outros benefícios.

Trump depois da Síria e da 'mãe de todas as bombas': Encenações e ameaças fake

19/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline











A meio caminho zapeando pelos programas de TV no fim de semana pelos dois dos principais canais em língua malaiala, afinal me convenci de que algum "pensador estratégico" cabeça-fraca local, sem dúvida, andou espalhando um boato segundo o qual a 3ª Guerra Mundial está a caminho, 'porque' o presidente dos EUA Donald Trump abandonou suas promessas de campanha e abraçou as políticas imperialistas clássicas dos EUA – que os mísseis contra a Síria, a detonação da 'mãe de todas as bombas' e as nuvens de guerra sobre a Coreia do Norte são claros sintomas do Armageddon.


Claro, tentei raciocinar e pus-me a detalhar, porque é evidência empírica, que muito do que está acontecendo explica-se mais facilmente pela confusão reinante em Washington, sob presidente desesperantemente sitiado, e que as coisas estão na realidade muito distantes do que a vista alcança.



Assim que, hoje, tive um ataque de riso, ria sem poder me controlar, quando começaram a aparecer matérias na mídia dando conta de que, sim, o show de força de Trump no Extremo Oriente não passou de jogada de cena. A formidável armada norte-americana, o porta-aviões Carl Vinson e todo um grupo de ataque parece que nunca tomaram o rumo da Coreia do Norte! Foi 'pegadinha'!


EUA esqueceram o que fizeram à Coreia do Norte?

3/8/2015, VoxMax Fisherman 










Bombardeiro EUA B-26 ataca a cidade norte-coreana de Wonsan in 1951.
(Interim Archives/Getty Images)

Talvez nenhum outro país na Terra seja mais mal compreendido pelos cidadãos norte-americanos que a República Popular Democrática da Coreia, RPDC (não por acaso rebatizada "Coreia do Norte" pelos EUA). Por mais que os líderes do país sejam invariavelmente pintados como bufões, mesmo como débeis mentais, na verdade são, sim, extremamente duros na tarefa de agarrar-se ao poder. Mas, por mais que o país seja pintado como comunista ao estilo soviético, verdade é que é muito mais corretamente descrito como depositário do fascismo japonês.


E há outra concepção errada, que os norte-americanos provavelmente não querem conhecer, mas que é importante para compreender o "reino ermitão" [orig. hermit kingdom]. Sim, grande parte do antiamericanismo dos coreanos do norte é fabricado cinicamente como arma de propaganda; e, sim, a maior parte dele é baseado em mentiras. Mas há muita verdade histórica por trás daquele ressentimento. 



Os EUA realmente fizeram coisas terríveis, pode-se dizer criminosas, maléficas, contra a RPDC, "Coreia do Norte". E se o que os coreanos sofreram, aqueles incontáveis abusos, não explica tudo, nem perdoa, tampouco pode ser declarado irrelevante.



Os fatos são os seguintes: No início dos anos 1950s, durante a Guerra da Coreia, os EUA lançaram mais bombas sobre a Coreia do Norte do que em todo o teatro do Pacífico durante toda a 2ª Guerra Mundial. Esse ataque descomunal, planejado para não deixar em pé sequer uma parede, e que incluiu 32 mil toneladas de napalm, em quase todos os casos fez mira deliberada contra alvos civis, além dos alvos militares, e devastou o país muito além do que fosse exigido pelos eventos da própria guerra. Destruíram-se cidades inteiras, morreram muitos milhares de civis inocentes e ainda muitos mais milhares foram abandonados sem teto e sem comida.