segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“A culpa é do Putin!” - A guerra midiática do Ocidente e a demonização da Rússia

23.01.2017 - Frederico Füllgraf, Blog do Nassif






Enquanto a imaginação do leitor se introduz no vasto território virtual indicado pelo título, nas primeiras semanas de 2017, aproximadamente 3.000 blindados e 4.000 soldados norte-americanos, transportados até Zagan, em terras polonesas, foram colocados em regime de prontidão junto às fronteiras da Polônia e dos países bálticos – Lituânia, Estônia e Letônia – com a Rússia, enquanto outra divisão se deslocou à Romênia, vizinha da Ucrânia.
Iniciada antes do Natal de 2016, com o descarregamento de aparatoso arsenal no porto alemão de Bremerhaven e seu translado para 900 trens, que somaram 10 quilômetros de extensão, nas palavras do brigadeiro Timothy Ray, chefe do comando militar norte-americano na Europa (Eucom), a operação "Atlantic Resolve" (“Determinação Atlântica”) tem por objetivo “repelir agressões russas, reafirmar a integridade territorial dos países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte – NATO, no acrônimo inglês)”, e – pasme-se - “estabilizar a paz na Europa”.
Ao ler a declaração beligerante do militar norte-americano, a primeira indagação do leitor desavisado é: por acaso perdi essa notícia? Quê país europeu foi ameaçado, bombardeado ou invadido pelas tropas de Wladimir Wladimirowitsch Putin?
Resposta correta: nenhum.

Eis como se desdobrará o governo Trump, por Pepe Escobar

19/1/2017, Pepe Escobar, The Vineyard of the Saker












Começa agora a era Trump – com geopolítica e geoeconomia prontas para uma série de pontos iminentes, imprevisíveis, de suspense.

Já escrevi que a estratégia do guru de Trump para política externa Henry Kissinger, para lidar com o formidável trio da integração da Eurásia – Rússia, China e Irã – é um "Dividir para Governar" remix: seduzir a Rússia para longe da parceria estratégica com a China, ao mesmo tempo em que ataca o elo mais fraco, o Irã.

De fato, a coisa já se está desdobrando desse modo – como se viu nas tiradas espalhafatosas de membros seletos do gabinete de Trump durante as sabatinas no Senado dos EUA. Facções da Think-tank-lândia dos EUA, referindo-se à política de Nixon para a China, também construída por Kissinger, estão excitadíssimos com as ricas possibilidades de 'contenção', na direção de pelo menos uma das potências "potencialmente coligadas contra os EUA".

domingo, 22 de janeiro de 2017

Paul Craig Roberts: Onde se mete a esquerda, quando EUA precisamos dela?

19/1/2016, Paul Craig Roberts, Blog














Estava começando a redigir resenha detalhada e elogiosa do livro de Greg Palast Billionaires & Ballot Bandits quando um amigo pediu-me que "partilhasse" uma emissão, distribuída por Facebook, de documentário no qual Palast expõe "exatamente o modo como Trump e seus bandidos atacaram os direitos de um milhão de votos da minoria, para roubar a Casa Branca".

Vejamos. Trump chegou à presidência porque venceu em 84% do território dos EUA; só perdeu o voto dos negros, hispânicos e brancos de extrema direita; mas roubou a eleição porque não representa o voto de um milhão de negros. Esses negros não vivem no éter. Vivem nos 500 condados que ficaram com Hillary. 2.600 condados preferiram Trump.

Vejam no mapa, que conta toda a história: http://brilliantmaps.com/2016-county-election-map/ 

Estou desapontado com Palast, tantas vezes bom repórter investigativo, mas compreendo sua frustração.

Saudemos o presidente

Da série "Um dia antes do dia depois, ou: Baixando a bola"


21/1/2017, Eric Margolis, Blog
















Em geral evito eventos patrióticos. Invariavelmente me fazem lembrar o imbecilismo embandeirado que levou à 1ª Guerra Mundial.

De fato, cheguei a ser expulso dos Escoteiros de New York City, porque comentei em voz alta que aquele exagero de bandeiras, tambores, música marcial e uniformes paramilitares pareciam coisa da velha Juventude Hitlerista.

Mas assisti à cerimônia de posse do presidente Donald Trump (é a primeira vez que escrevo essas palavras) e tenho de admitir que a cerimônia comoveu-me mais do que é comum nesse meu modo de ser normalmente cético, cínico.

Depois da posse de Trump (de NY para Davos) Kissinger ao vivo

20/1/2017, 17h30, Pepe Escobar, pelo Facebook
















A parte crucialmente importante da fala de Kissiger há algumas horas, tem a ver com que "conselho" ele daria a Trump. Na verdade, é o núcleo da estratégia que o próprio Kissinger traçou para Trump – como já comentei em "Teatro de Sombras: novo grande jogo na Eurásia" (tb traduzido) e em "Trump, Kissinger and Ma", minhas colunas em Asia Times:
"Uma das principais realizações ou atos de impactos do presidente Obama foi retirar a América de algumas posições nas quais estava superdistendida, mas também criar o sentimento de que a América se retirava do mundo, inclusive em locais nos quais a superdistenção não se aplicaria e nos quais a contribuição dos EUA continua a ser essencial."
"Assim, o presidente Trump terá de encontrar uma definição para o papel dos EUA que responda às preocupações de muitas partes do mundo nas quais a América desistiu do seu papel de indispensável liderança em muitos países – e grande contribuição em outros –, e definir o que e onde a América pode liderar e onde tem de contribuir para criar uma ordem internacional."

Implica criar uma NOVA ordem internacional.

Outros pontos importantes:

Sobre a "parceria atlântica" – "tem de ser reconstruída, mas com a atitude segundo a qual o elemento chave são ambas as políticas, dos EUA e europeia."

É nessa direção que se deve interpretar o mantra de Trump "a OTAN é obsoleta".

Sobre a Rússia:

"A Rússia garantiu o equilíbrio no mundo."

Ninguém jamais ouviu tal coisa da banda neoconservadora/neoliberalconservadora. Kissinger conta com "diálogo sério" entre EUA e Rússia, sob governo Trump. Esse, de fato, é o coração de sua estratégia.

Sobre o discurso de Xi em Davos, no início da semana:

"Importante afirmativa feita pela China de que participará na construção de uma ordem mundial"; "a ordem mundial com a qual estamos familiarizados está em desintegração em alguns aspectos"; "o presidente Xi introduziu um conceito de ordem internacional que tem de ser discutido."

Quer dizer: Kissinger não se posiciona em confronto declarado diante da China; e lá estará para aconselhar/moderar os rompantes de Trump. NÃO HAVERÁ guerra comercial. *****

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Tenho de concluir que o país não precisa de CIA

17/1/2017, John Kiriakou,* Information Clearing House











O presidente eleito Donald Trump está acusando o diretor da CIA John Brennan de ser a fonte de "notícias falsas" sobre ele, essencialmente de acusar nosso novo supremo líder de ser fantoche de Moscou, e acusando-o de participar de festins sexuais à plena vista de câmeras da inteligência russa num hotel em Moscou há vários anos.

Não tenho ideia de se Trump, sim ou não, quando em visita a Moscou em 2010, contratou prostitutas para urinarem no colchão de uma suíte presidencial do Four Seasons Hotel porque os Obamas certa vez dormiram lá. Não me interessa. Tampouco tenho ideia de se o governo russo "hackeou" o Comitê Nacional Democrata e roubou e-mails do manager da campanha eleitoral de Clinton, John Podesta. Não vi prova alguma apresentada por qualquer CIAFBI ou Agência de Segurança Nacional, portanto concluo que a conversa sobre hacking está ultrapassada. Todos os países espionam-se uns os outros. É fato da vida. Os EUA espionam absolutamente todo mundo, em todo o planeta. Assim sendo, tenho problemas com a indignação 'politicamente correta' que vejo em tantos dos meus amigos e ex-colegas de CIA sobre os russos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Moon of Alabama: "Não acontecerá aqui" – Revolução Colorida à força


14/1/2017, Moon of Alabama













Dos Comentários ao postado, na página de MoA
"Os sinais não são bons. A veterana jornalista Claire Hollingworth morreu dia desses, aos 105 anos. Finian Cunningham comentou a morte dela e a amnésia que acomete todos sobre o que significa 
a OTAN reunir 1.000 de seus tanques no leste da Europa:
"Evidência dessa aparente amnésia coletiva viu-se por ocasião da morte da veterana jornalista britânica Clare Hollingworth, que morreu essa semana aos 105 anos.

Hollingworth é autora do "furo do século", em 1939, quando foi a primeira voz jornalística a noticiar a invasão dos nazistas à Polônia, que deflagrou a 2ª Guerra Mundial. Manchete de sua matéria original publicada dia 29/8/20139 no britânico Daily Telegraph: "1.000 tanques estacionados na fronteira polonesa." Postado por Yonatan | Jan 15, 2017 12:43:14 PM | 
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A estratégia do "Donald Trump ama a Rússia" e "Rússia é do mal" foi propagandeada pela campanha eleitoral de Clinton. Cresceu sempre, desde o constante incitamento dos EUA contra Rússia depois que o golpe dos EUA na Ucrânia fracassou parcialmente e depois que a Rússia postou-se ao lado do governo de Assad na Síria. Hillary Clinton como secretária de Estado foi a principal força que moveu adiante a campanha anti-Rússia. Quando Clinton foi derrotada por Trump o tema foi mantido, então já conectando Trump e a Rússia, e ativado por alguns setores da comunidade de inteligência dos EUA.

Department of Homeland Security (DHS) [Departamento de Segurança Nacional] e o FBI publicaram um relatório de propaganda 'denunciando' o que seria nefanda ciberatividade dos russos durante a eleição, sem apresentar prova de coisa alguma. O relatório apareceu junto com a expulsão de 35 diplomatas russos pelo governo Obama. Na sequência, o DHS plantou no Washington Post uma falsa históriade uma ciberinvasão russa numa instalação em Vermont.