quinta-feira, 20 de julho de 2017

O Rei Sol e o Amigo Americano, por Pepe Escobar

17/7/2017, Pepe Escobar, Asia Times














Mas e o que Donald Trump e o presidente francês Emmanuel Macron realmente conversaram durante aquela efusiva cena francesa 'dos rapazes'? Sendo a França, comecemos pelo que realmente conta: a gastronomia.

Sim, aquele jantar no restaurante Jules Verne de preços absurdamente caros de Alain Ducasse na Tour Eiffel. Ótima mesa junto à janela, com bela vista. Só os grandes, com esposas, Melania e Brigitte. Os Macrons são falantes fluentes de inglês. Nenhum vazamento escapou do Palácio Eliseu.

O restaurante é parte do império de Ducasse em expansão, gerenciado pelo empresário Xavier Alberti, casado com Audrey Bourolleau, que por acaso é conselheira de agricultura do presidente Macron.

Assim sendo, fica tudo em família. E a família expandida dos Macron é praticamente um quem-é-quem francês. Prevalece um grave equívoco, especialmente nos EUA, de que Macron seria outsider, lobo solitário anti-establishment. Nada mais longe da verdade.

Os Dias de Julho, Petrogrado 1917

19/7/2017, John Catalinotto,* Workers World


Há momentos em que o partido revolucionário tem de remodelar suas táticas











Imagem: Trabalhadores e soldados buscam abrigo – ou tombam – quando atiradores escondidos nos prédios abrem fogo contra manifestantes nos Dias de Julho, em Petrogrado. 17/7/1917, Avenida Nevsky Prospect.

Dia 16 de julho há cem anos, cerca de quatro meses depois de terem deposto o czar russo e quatro meses antes de fazerem a primeira revolução socialista da história, dezenas de milhares de trabalhadores e soldados em Petrogrado (São Petersburgo) empunharam seus rifles e metralhadoras e marcharam para a sede do "Conselho" (soviete de Petrogrado) exigindo que os partidos dos trabalhadores tomassem o poder então em mãos do governo pró-capitalista.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Golpe: trama para instabilizar Rousseff, Lula e o Brasil

25/3/2016, Shobhan Saxena,* The WiredÍndia












Partidos neoliberais, a mídia-empresa, um Judiciário reacionário, lobbyists da indústria do petróleo, a elite branca e grupos de direita, com generosa ajuda do exterior, reuniram-se em gangue para fazer desandar o governo do Brasil. E tudo isso para faz crer que se tratasse de levante popular contra regime corrupto.

São Paulo: em novembro de 2009, The Economist pôs o Brasil na capa da edição do mês. Brasil Takes Off [Brasil decola], lia-se lá, sobre uma foto da estátua icônica do Cristo Redentor pairando sobre águas azuis como um foguete interestelar. Prevendo que "o Brasil tem tudo para se tornar a quinta maior economia do mundo, superando Grã-Bretanha e França", a revista dizia que a maior economia da América do Sul, deveria "ganhar mais velocidade nos próximos anos, quando as reservas de petróleo de águas profundas chegassem ao mercado, e com os países da Ásia ainda carentes dos alimentos e dos minerais nobres da farta e pródiga terra do Brasil."

Em 2009, quando o mundo enfrentava ainda uma crise financeira catastrófica, The Economist via o Brasil como a maior esperança do capitalismo global.

Naquele momento, a revista britânica não era a única apaixonada pelo Brasil. Sob a liderança do presidente Lula da Silva, o país testemunhava prosperidade e mudança social sem precedentes. A própria ascensão pessoal de Lula, de engraxate de rua e mecânico de motores a presidente do maior país da América Latina, era matéria de que se fazem os mitos históricos. Lula foi objeto de vários livros, sempre sucessos de venda. Na cúpula do G-20 em Londres, em abril de 2009, o presidente Barack Obama dos EUA disse dele que era "o político mais popular do planeta". E com os dois maiores espetáculos esportivos do planeta – a Copa do Mundo da FIFA (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) – marcados para acontecer no país, o Brasil, perenemente estigmatizado como "o país do futuro", finalmente parecia ter chegado ao centro do palco global.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Erdogan que tome cuidado: veja o caso de Lula do Brasil

15/7/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline







Prôs petistas e liberais 'éticos' em geral que ignoram sinceramente ou só fingem que não veem a real luta internacional do capital – e se comprazem no xororô de 'como nos perseguem'.






Turquia marca hoje um aniversário pungente. Há exatamente um ano, houve uma tentativa de golpe militar na Turquia para depor o presidente Recep Erdogan – e, se fosse possível, provavelmente, eliminá-lo fisicamente. Mas o povo turco respondeu imediatamente à convocação de Erdogan para resistir ao golpe. A mais próxima analogia na história moderna pode ser a derrota histórica da tentativa de golpe contra Mikhail Gorbachev em agosto de 1991, quando Boris Yeltsin mobilizou o 'poder popular' na Praça Vermelha em Moscou e derrotou os golpistas.

Golpe é ruim, mas tentativa de golpe que fracassa é muito pior. O revide torna-se praticamente inevitável, quando o golpe fracassa, e a coisa pode ficar realmente feia, porque os baixos instintos afloram incontrolavelmente e passa a reinar a 'natureza, dentes e garras ensanguentadas' [orig. ‘nature, red in tooth and claw’Tennyson] como único juiz, júri e carrasco executor. Yeltsin aproveitou aquele momento para se apossar das alavancas do poder que em tese pertenciam a Gorbachev, naquela zona indefinida quando a ousadia impõe-se e o vencedor leva tudo. Yeltsin prosseguiu o desmonte da União Soviética, para consolidar seu poder na Federação Russa.

domingo, 16 de julho de 2017

Acordo secreto estúpido EUA-sauditas sobre a Síria

Para NÃO ESQUECER o que se disputou e quem ganhou e quem perdeu na guerra pela Síria



24/10/2014, F. William Engdahl,* Boiling Frogs (16/7/2014, Global Research, longa citação já traduzida em 2014, em Redecastorphoto [NTs])







Artigo a reler em 2017, para ver com mais clareza (1) a extensão da derrota, hoje, de todos os projetos dos EUA e Israel na Eurásia; e (2) a enormíssima importância que – nesse quadro de derrota dos EUA em outros fronts internacionais – ganham, em 2017, a América Latina em geral; e o Brasil em particular.





(…) Emergem detalhes [2014] de um novo acordo secreto e estúpido, entre EUA e sauditas e o chamado Estado Islâmico. Envolve o controle de petróleo e gás em toda a região, para enfraquecer Rússia e Irã, com os sauditas afogando o mercado mundial com petróleo barato. (...) 

Os sauditas querem vender para a Ásia com desconto e, em particular, ao seu principal freguês asiático, a China, onde se sabe que os sauditas já oferecem seu cru foi reles $50-$60 o barril, em vez do preço anterior de cerca de $100. [1] Aquela operação financeira saudita de descontos por sua vez, segundo tudo indica, está sendo coordenada com uma operação de guerra financeira do Tesouro dos EUA, via seu Gabinete de Inteligência para Terrorismo e Inteligência Financeira, em cooperação com um punhado de atores insider em Wall Street que controlam o comércio dos derivativos do petróleo. O resultado é um pânico no mercado, que cresce diariamente. A China não se incomoda de comprar petróleo barato, mas dois de seus mais próximos aliados, Rússia e Irã, estão sendo duramente atingidos.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

EUA fizeram em Mosul o que Rússia foi falsamente acusada de fazer em Aleppo

12/7/2018, Adam Garrie, The Duran













O ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov criticou asperamente a falta de coordenação na evacuação de civis em Mosul – em tudo muito diferente dos organizados corredores humanitárias pelos quais a Rússia evacuou civis durante a Batalha de Aleppo na Síria no final de 2016. Os corredores humanitários em Aleppo Leste também foram usados para garantir alimentos e itens de primeira necessidade à população local, que os terroristas privaram completamente de comida e medicamentos.

Não se vê nenhum desses cuidados nas ações dos EUA ou Iraque no caso de Mosul. Em vez disso, transpiraram relatos de tortura, de fome em massa e de assassinatos de civis.

Na avaliação do ministro Lavrov:

Sumário da Síria: Que futuro tem o acordo Trump-Putin?

13/7/2017, Moon of Alabama








O conflito entre EUA e Rússia por causa da Síria parece ter-se acalmado depois da recente reunião no G-20 entre Putin e Trump. Algum tipo de acordo foi feito, mas não se sabe nem os objetivos nem os compromissos que se criam. Um dos objetivos atuais é derrotar o ISIS.


Mapa: Fabrice Balanche/WINEP (para ver ampliado)


No encontro entre os presidentes Trump e Putin em Hamburgo ficou acertada uma trégua, para a área sudoeste da Síria. O governo sírio (violeta, no mapa) controla a cidade de Deraa; vários grupos insurgentes patrocinados por dinheiro estrangeiro (verde), incluindo a al-Qaeda e o ISIS, ocupam as fronteiras na direção de Israel e Jordânia. Houve alguns combates sérios ali, depois de recentes ataques pela al-Qaeda contra a cidade de Baath perto do Golan. Durante esses combates, a força aérea de Israel várias vezes garantiu apoio a grupos da al-Qaeda, atacando o exército sírio.