segunda-feira, 29 de maio de 2017

Síria – No NYTimes, a verdade infiltra-se nas entrelinhas. E OTAN Prepara-se para fazer guerra ao Irã e à Rússia

26/5/2017, Moon of Alabama











The New York Times Magazine traz artigo interessante sobre o leste de Aleppo. Robert Worth lá esteve recentemente e falou com várias pessoas. Editores/censores empregados do NYT rechearam o artigo com as mentiras e calúnias de sempre contra o governo sírio, mas já não conseguem soterrar as realidades que deveriam estar à tona, mas não estão.

A manchete diz: "Aleppo depois da Queda", mas uma das frases mais destacadas do texto diz o contrário:


Yasser disse que foi um dos primeiros a poder voltar [para Aleppo-leste], imediatamente depois do que ele – comotodos com quem falei — chamavam de "a libertação."


Nada pode ser ao mesmo tempo "queda da cidade" e "libertação da cidade". Não, pelo menos, no mesmo 'relato'.

A propaganda pró jihadistas de que o governo teria bombardeado hospitais sem motivo, notícia 'confirmada' por um telefonema por Skype a algum propagandista a favor da al-Qaeda em Idleb – mistura-se ao que parece ser constatado em relato de campo:

sábado, 27 de maio de 2017

Manchester, o revide: Começam a aparecer detalhes do apoio dos governos britânicos ao terror

25/5/2017, Moon of Alabama












Já há alguns poucos novos detalhes sobre o ataque em Manchester e como se relaciona ao apoio dos britânicos aos takfiris nas guerras que movem contra países independentes no Oriente Médio e noutros pontos. Mas o quadro não mudou do que pintamos ontem. O ataque foi revide contra os britânicos estarem usando grupos takfiris para derrubar governos que não lhes agrade.

Em 2011, quando britânicos, franceses e os EUA fizeram guerra contra a Líbia, o governo britânico enviou takfiris líbio-britânicos para combaterem contra forças do governo líbio:

A conexão Manchester-Líbia em cinco minutos, por Pepe Escobar

Pepe Escobar, 27/5/2017, 9h37 (hora BSB), pelo Facebook













Concentremo-nos em Ramadan, pai de Salman Obeidi, o "mártir" de Manchester; e é serviço bem repugnante.

Ramadan é fruto da tribo al-Obeidi, de al-Gubbah no leste da Líbia. No governo de Gaddafi foi sargento-major, muito pio e conectado aos islamistas. Deixou a Líbia em 1991, e estabeleceu-se no paraíso wahhabista saudita onde – detalhe crucialmente importante – foi instrutor de mujahidin que combatiam no Afeganistão contra o governo de Najibullah, depois de os soviéticos terem saído de lá.

Em 1992 os mujahidin entraram em Kabul, para bombardear a cidade até a morte, inclusive o recentemente "normalizado" Hekmatyar. Ramadan vai de lá para Londres e de Londres para Manchester, unindo-se à diáspora líbia islamista que circula em torno do Grupo Islâmico de Combate na Líbia [ing. Lybia Islamic Fighting Group (LIFG)].

Ali Ramadan liga-se a ninguém menos que Abu Anas Al-Libbi – que também vive em Manchester – e que será o cérebro por trás dos ataques da al-Qaeda contra Quênia e Tanzânia em 1998.

Ramadan também se liga ao infame Abdelhakim Belhaj – ex-mujahid no Afeganistão e MUITO próximo de... Osama Bin Laden. Belhaj convence Ramadan a retornar à Líbia. 

Depois que a gangue Cameron/Sarkozy/OTAN "libertaram" a Líbia, Ramadan une-se ao partido Al-Umma, liderado por Sami al Saadi, um dos mais altos comandantes do LIFG, e torna-se muito próximo do Grande Mufti Sadeq al-Ghariani, guia espiritual das milícias islamistas de linha-duríssima ligadas a Belhaj. 

Moon of Alabama: Morreu Zbig, padrinho da Al-Qaeda. Já foi tarde

27/5/2017, Moon of Alabama













Morreu ontem à noite Zbigniew Brzezinski, implacável sanguinário imperialista norte-americano. Já foi tarde.

Brzezinski foi o padrinho da al-Qaeda e de grupos similares.

Como Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter dos EUA, Brzezinski concebeu a estratégia de usar militantes radicais religiosamente motivados contra governos seculares e respectivos povos em todo o mundo. Mandou os doidos wahhabistas financiados pelos sauditas para combater contra o governo do Afeganistão, antes de a União Soviética decidir mandar os próprios soldados para apoiar aquele governo.

Brzezinski é filho de família da nobreza polonesa da Galicia, atual oeste da Ucrânia. (Galicia é também, não por acaso, berço dos neonazistas ucranianos ativos hoje). A família fugiu da Polônia depois de o país ser dividido entre alemães e soviéticos e da socialização das vastas propriedades da nobreza durante e depois da 2ª Guerra Mundial. O ódio de Zbigniew Brzezinski por tudo que tivesse a ver com socialismo e russos advém daí.

Os ataques do 11/9, a guerra contra a Síria e o recente massacre em Manchester são consequências diretas da estratégia de Brzezinski de exportar revoluções. O crescimento e a difusão do credo wahhabista saudita fundamentalista –que hoje já ameaça toda a humanidade, foi trabalho dele.

Que arda no inferno.*****




sexta-feira, 26 de maio de 2017

Pepe Escobar: Daech, o Ocidente e o impassível fedor de morte

25/5/2017, Pepe Escobar, Sputnik News













Cada vez que o Daech acrescenta mais um, na litania trágica de seus ataques de "lobo solitário" e/ou de "redes" – em Manchester, Paris, Londres, Nice, Berlim – o Ocidente volta às cenas de fúria contra aqueles "desgraçados perdedores" (copyright Donald Trump).

Cada vez que a formidável máquina militar do Ocidente acrescenta mais um, na trágica litania de "danos colaterais" – na Líbia, Iêmen, Somália, nas áreas tribais do Paquistão – reina o silêncio. Nenhuma manchete de primeira página com nomes muçulmanos completos.

Cada vez que representantes do CCG-OTAN acrescentam mais um, na sua própria trágica litania de massacres premeditados – em toda a Síria, em todo o Iraque – os perpetradores são desculpados porque são "nossos" rebeldes "moderados" e combatentes da liberdade.

Essa lógica inexorável, perversa, não será alterada. Agora com um toque extra, porque o presidente Trump explicou a um mundo assustado, via seu redator islamófobo de discursos Stephen Miller, a culpa é toda do Irã.

Trump já fez sua profissão de fé jurando sobre uma esfera brilhante aninhada em Riad, a alma mater de todas as modalidades do terror wahhabista ou jihadista-salafista.

ISIS é "parceiro" dos EUA em operações contra russos na Síria

Eis o que Trump passou a funcionários russos (diz o WPost) 



21/5/2017, John Helmer, Dances with Bears, Moscou











"Nunca confies em quem anda de braços dados com teu inimigo"

Um repórter do Washington Post revelou que o caso do laptop do Estado Islâmico, que o presidente Donald Trump mencionou ao ministro russo de Relações Exteriores Sergei Lavrov na Casa Branca, semana passada, veio do próprio Estado Islâmico, trazido pela Agência Central de Inteligência [ing. Central Intelligence Agency (CIA)]. A razão do vazamento contra Trump, noticiada em seguida no Post e na mídia anglo-norte-americana também foi revelada pelo Post. 

CIA e pelo menos um alto funcionário do Conselho de Segurança Nacional que informou a CIA sobre o que Trump dissera estão furiosos contra o presidente Trump, por ele ter revelado a colaboração entre agentes do Estado Islâmico e 'ativos' a serviço do governo dos EUA em ataques contra alvos russos, inclusive contra passageiros russos de voos comerciais.

Crime contra Assange: a história não contada, por John Pilger

19/5/2017, John Pilger,* Counterpunch












Julian Assange foi vingado, porque todo o caso contra ele, construído pelo Judiciário sueco, foi ato de corrupção da Justiça. A Procuradora Marianne Ny cometeu crime de obstrução da justiça e tem de ser processada. A obsessão dela contra Assange não apenas envergonha seus colegas juízes e procuradores, mas também deixa à vista de todos a colusão entre o Estado sueco e os EUA nos crimes de guerra dos norte-americanos e suas famigeradas "entregas especiais" [ing. rendition] de [prisioneiros a governos estrangeiros, para serem torturados, assassinados ou todas as anteriores (NTs)]. 

Se Assange não tivesse procurado abrigo na embaixada do Equador em Londres, teria sido metido num dos buracos de tortura e ilegalidade que os EUA mantêm, para um dos quais foi enviada Chelsea Manning.

Essa ameaça muito real foi mascarada pela farsa que o Judiciário sueco prestou-se a representar. "Chega a ser cômico" – disse James Catlin, um dos advogados australianos de Assange. – "Dava a impressão que iam inventando o próximo passo enquanto um passo se 'desenvolvia' no Judiciário sueco".