sábado, 24 de junho de 2017

Crise no Qatar: Origens e consequências

22/6/2017, SouthFront






A crise em curso que cerca o Qatar é o mais grave conflito surgido entre estados árabes do Golfo desde o fim da Guerra Fria. Enquanto esses petromilionários e autocráticos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) historicamente sempre foram na maioria aliados de conveniência unidos por medos partilhados (da URSS, de Saddam Hussein, do Irã, etc.), a desconfiança nunca antes cresceu entre eles, a ponto de algum deles exigir nada menos que rendição incondicional de outro 'colega' de OPEP. Vários traços interessantes dessa crise imediatamente saltam aos olhos.

EUA enfrentam revés histórico no Oriente Médio, por MK Bhadrakumar

23/6/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline










O bloco dos quatro países árabes puxados pela Arábia Saudita que impôs um embargo contra o Qatar dia 5/6 apresentou afinal sua carta de exigências. Despacho da AP [leia aqui], lista as 13 demandas. As que mais chamam a atenção incluem que Doha reduza os laços com o Irã, que rompa relações com o Hezbollah e a Fraternidade Muçulmana, que feche uma base militar turca que há no país e que extinga a rede estatal de comunicação Al Jazeera e vários outros veículos.


Interessante, o Qatar também deve "aceitar auditorias mensais durante o primeiro ano depois de aceitar todas as demandas; depois uma por trimestre, durante o segundo ano. Pelos seguintes dez anos, o Qatar será monitorado anualmente, para verificar o exato cumprimento das demandas." Tudo isso significa que só a capitulação incondicional, abjeta do Qatar satisfará seus 'grandes irmãos' – nada menos. E há também um cronograma a seguir – dentro dos próximos 10 dias –, ou todas as demandas perdem a validade.

Para mim, o Qatar verá rapidamente que essa 'ação' não passa de mal disfarçado movimento para 'mudança de regime'. A resposta do regime só pode ser uma: que aqueles figurões árabes se enforquem.

O que acontece a seguir? Dito em poucas palavras, o Oriente Médio Muçulmano (sunita) está à beira de um racha histórico, que terão consequências profundas para a segurança regional e internacional.

Medo e Delírio na Rota da Seda Afegã, por Pepe Escobar

21/6/2017, Pepe Escobar, Asia Times










Será que algum dia as Novas Rotas da Seda, também conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE), algum dia conseguirá atravessar o Hindu Kush?

O nome do jogo é "temeridade". Embora estrategicamente colocado a cavalo sobre a Antiga Rota da Seda, e virtualmente contíguo ao Corredor Econômico China-Paquistão (CRCP) de US$50 bilhões – nodo chave da ICE –, o Afeganistão continua atolado em guerra.

É fácil esquecer que nos idos de 2011 – antes até de o presidente Xi Jinping anunciar a ICE, no Cazaquistão e Indonésia, em 2013 – a então secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton inventou uma Rota da Seda só dela, em Chennai. Não surpreende que a visão do Departamento de Estado tenha dado com a cara na poeira do Hindu Kush –, porque pressupunha um Afeganistão destroçado pela guerra, como eixo central do plano.

O estado do jogo no Afeganistão em 2017 é ainda mais deprimente. Dizer que o governo que emergiu das eleições presidenciais de 2014 e até hoje passa por governo é disfuncional é muito pouco.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

The Saker: A mais recente escalada na Síria - O que está realmente acontecendo?

23/6/2017, The Saker, Unz Review The Vineyard of the Saker











A essa altura, a maioria dos leitores já ouviram a mais recente má notícia vinda da Síria: dia 18/6 um jato F/A-18E Super Hornet (1999) dos EUA usou um míssil Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile [Míssil Avançado de Médio Alcance Ar-ar, ing.] AMRAAM, AIM-120 (1991) para derrubar um Su-22 da Força Aérea Síria (1970). Dois dias depois, dia 20/6, um F-15E Strike Eagle dos EUA derrubou um drone Shahed 129 do Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos do Irã. Nos dois casos, o pretexto foi que haveria ameaça contra os EUA ou forças apoiadas pelos EUA.

A verdade, claro, é que os EUA estão simplesmente tentando deter o avanço do Exército Árabe Sírio. Foi portanto mais um 'show de músculos' tipicamente norte-americano. Ou seria, se derrubar um bombardeiro de combate Su-22, de 47 anos, relíquia da velha era soviética, tivesse alguma importância. E derrubar um drone pilotado à distância tampouco tem importância alguma. 


Há aí um padrão: nenhuma ação dos EUA até esse momento – ataque falhado contra a base militar síria; ataque à bomba contra uma coluna do Exército Sírio; derrubar um bombardeiro de combate e um drone do Irã – tem qualquer real valor militar. Todas essas ações contudo têm valor de provocação, porque cada vez que acontecem coisas desse tipo, todos os olhos voltam-se para a Rússia, para ver se os russos responderão ou não.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Grandes avanços do Exército Árabe Sírio transformam a guerra na Síria

21/6/2017, Alexander Mercouris, The Duran











Um furacão de avanços do Exército Árabe Sírio desorientou completamente o ISIS e posicionou os sírios para recuperarem toda a Síria central e de leste, do Mediterrâneo até a fronteira do Iraque.

Embora a mídia-empresa ocidental nada noticie, as últimas semanas marcaram total transformação na guerra na Síria.

Até a libertação do leste de Aleppo em dezembro, a guerra síria estava sendo combatida principalmente no oeste da Síria, numa estreita faixa do litoral sírio mediterrâneo, guerra de atrito entre o Exército Sírio e vários turcos apoiados por grupos Jihadistas, todos, de fato, comandados pela Al-Qaeda.

A pressão intensa dessa guerra obrigou o Exército Sírio a deixar quase todas as regiões do leste da Síria, para proteger os principais centros populacionais do país e de poder ao longo da costa. O vácuo resultante no leste da Síria foi preenchido inicialmente por grupos Jihadistas, mas depois pelo ISIS, cujos terroristas ganharam em 2015 o importante controle dessa área, exceto a cidade isolada de Deir Ezzor.

A derrota da Al-Qaeda em dezembro em Aleppo, e o fracasso de sua ofensiva da província de Idlib para a província de Hama em abril, deixaram o governo sírio no controle de todas as grandes cidades sírias – Damascos, Aleppo, Hama e Homs –, com a província de Latakia e respectiva capital já então firmemente sob controle das forças oficiais. Embora ainda haja presença de Al-Qaeda em algumas áreas do país próximas de Damasco, e permaneça no controle da província de Idlib, são áreas para as quais Rússia e Turquia já construíram acordos em dezembro, suplementados por outros acordos firmados por Rússia, Irã e Turquia em maio, que implantaram as chamadas "áreas de desconflitação" nesses territórios.

Teerã sempre foi o destino final dos EUA e, portanto, do ISIL, por Toni Cartalucci

10/6/2017, Toni Cartalucci, New Eastern Outlook, NEO












Foram vários mortos e muitos feridos nos ataques terroristas coordenados contra a capital do Irã, Teerã. Tiros e bombas no Parlamento iraniano e no mausoléu do Aiatolá Khomeini.

Segundo a Reuters, o chamado "Estado Islâmico" reivindicou a autoria do ataque, desencadeado apenas poucos dias depois de outro ataque terrorista, aquele em Londres. O Estado Islâmico também reivindicou autoria da violência em Londres, apesar de já haver provas de que os três suspeitos de envolvimento já serem conhecidos da segurança e das agências de inteligência britânicas, há muito tempo. Simplesmente teriam sido deixados à vontade para organizar os ataques e atacar.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Ajustes no Oriente Médio, por Thierry Meyssan

21/6/2017, Thierry Meyssan, Voltaire.net 


Tradução: Alva





Enquanto os Estados do Oriente Médio Expandido se dividem entre partidários e adversários do clericalismo, Washington, Moscou e Pequim negociam uma nova orientação. Thierry Meyssan avalia o impacto deste tremor de terra sobre os conflitos palestino, sírio-iraquiano e iemenita.


A crise diplomática em torno do Catar congelou diversos conflitos regionais e mascarou as tentativas de resolução de alguns outros. Ninguém sabe quando terá lugar o levantar da cortina, mas tal deverá fazer surgir uma região profundamente transformada.